associação água pública fonte pública Estremoz



DECLARAÇÃO DE IMPRENSA DA ASSOCIAÇÃO ÁGUA PÚBLICA


60º ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM

10 de Dezembro de 2008



Iniciativa integrada na Campanha "água é de todos"






DIREITO À ÁGUA


Faz hoje sessenta anos que a Assembleia das Nações Unidas aprovou a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Só 30 anos depois foi formalmente incorporada na ordem interna portuguesa, em 9 de Março de 1978. Dois anos antes, a Constituição de Abril contemplou amplamente esses direitos.

A Declaração manifesta, ao longo dos seus 30 artigos, o desejo e a esperança de que «todos os povos e todas as nações» coloquem, como «ideal comum a atingir», o respeito pelos direitos políticos, civis, económicos, sociais e culturais, do ser humano.

A conquista e defesa desses direitos é uma luta de hoje, com actualidade e urgência enorme.

Recordamos, por exemplo:

Artigo 22:
“Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.”

Artigo 25:
“Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família, a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.”

O direito à água está implícito na Declaração Universal dos Direitos do Homem. É um pré-requisito para o exercício de outros direitos, atacado pela intensa investida privatizadora que transforma os objectivos sociais das políticas da água em chorudos negócios de exploração duma necessidade básica.

Travam-se lutas em todo mundo pelo exercício do direito à água, pela água pública, contra a exclusão de acesso, as privatizações e a exploração através da água.

Pelo direito humano à água contra a protecção dos negócios da água, contra os eufemismos do utilizador pagador, da recuperação dos custos e do mercado.

Pelos direitos económicos e sociais iguais em relação à água, contra a os privilégios concedidos a alguns de exploração dos recursos naturais e trabalho alheio para acumulação de fortuna.

Estas lutas travam-se também em Portugal.

Lutas locais e de âmbito nacional, contra a imposição de uma política de privatizações e fomento de chorudos negócios. Contra a exploração das populações e o desleixo pelas origens de água, contra as pressões e estrangulamento financeiro dos serviços autárquicos, contra preços escandalosos e a eliminação de tarifários sociais. Contra uma legislação que ao invés de garantir o direito de todos à água outorga privilégios de exploração a alguns.

Lutas em defesa de um direito humano básico, que crescem para lá da barreira de silêncio das televisões e jornais de grande tiragem.

No aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, invocando o seu artigo 22º, exigimos o reconhecimento formal do direito de todas as pessoas à água e a obrigação do Estado assegurar o seu exercício efectivo.

Hoje, foi entregue à Assembleia da República uma carta das organizações promotoras da campanha “água é de todos, não o negócio de alguns” com essa exigência.

Apelamos à participação de todos nesta luta. Os direitos conquistam-se e defendem-se.

Todos os dias, e também nos actos eleitorais que se avizinham.

Lisboa, 10 de Dezembro de 2008




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